10 de out de 2011

Unesco eleva cafezais da Colômbia e prédios de Gropius a patrimônio da humanidade

Café da Colômbia foi elevado à condição de Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco junto com florestas alemãs e prédio de Gropius

A paisagem cultural do café na Colômbia foi elevada à condição de Patrimônio Mundial da Humanidade pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, examinou um total de 35 candidaturas de sítios naturais, culturais e mistos no curso de sua 35ª reunião, encerrada em Paris, no final do mês de junho de 2011.

Cultivados nas cadeias ocidental e central da Cordilheira dos Andes, no oeste do país, os cafezais colombianos foram considerados pelos especialistas da Unesco um lugar excepcional.

Os produtores adaptaram o cultivo às condições difíceis da alta montanha e plantaram café em pequeas parcelas de bosque. Nas zonas povoadas, a maioria situadas nos picos das colinas, aprecia-se uma arquitetura de influência espanhola implantada pelos colonos procedentes da região de Antioquia.

Com milhares de plantações de café, a Colômbia é um dos grandes produtores mundiais da bebida, famosa pelo sabor. O importante elemento da economia do país é cultivado nas cordilheiras entre 1.000 e 1.600 m, localizado no Eixo Cafeeiro, nos estados de Quindío, Caldas e Risaralda, que contam com clima ideal para produzir o café referência em todo o mundo.

A Faia

Também foram consideradas Patrimônio da Humanidade cinco florestas alemãs composta pela árvore faia, como também um edifício projetado por Walter Gropius em 1910, além de uma região de mar de baixio na costa alemã. As florestas de faia, selecionados para a nomeação à Lista do Patrimônio Mundial, são os exemplos mais importantes das florestas de faia da Europa Central. Eles representam os últimos remanescentes da vegetação natural da Europa Central.

O cluster contém diferentes tipos ecológica das florestas de faia da costa do mar e paisagens planície glacial até colinas e montanhas de pedra calcária do meio. A ilha de Meroe, no Sudão, a zona protegida do Wadi Rum, na Jordânia, e uma série de edifícios representativos do poder dos lombardos, na Itália, também entraram na lista.

A Unesco justificou o tombamento das florestas alemãs de faia (Buchenwälder) por serem "indispensáveis para compreender a expansão das espécies de árvores do gênero Fagus no Hemisfério Norte". Essas antigas florestas representam de forma notável um ecossistema que marcou todo um continente e complementam perfeitamente as florestas de faia dos Cárpatos, na Eslováquia e na Ucrânia, tombadas como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade pela Unesco em 2007.

As florestas de faia, ou faiais, ocorrem em climas frescos e úmidos, bem como em montanha, a exemplo da Alemanha, Luxemburgo ou norte de França. As faias são árvores folhosas com folhas que parecem papel. Podem atingir 40 metros de altura. As florestas selecionadas estão localizadas nos estados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Turíngia e Hessen. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental foram selecionados o Parque Nacional de Jasmund e as florestas de faia de Serrahn, no Parque Nacional de Müritz. Os outros são a floresta de faia de Grumsin, em Brandemburgo, o Parque Nacional de Hainich, na Turíngia, como também o Parque Nacional de Kellerwald-Edersee, em Hessen. Com exceção de Hessen, os demais estados pertenciam à antiga Alemanha Oriental.

Testemunha da arquitetura moderna

A Fábrica Fagus, em Alfeld na de Leine, na Alemanha, conta com dez edifícios, concebidos no início dos anos 1910 por Gropius. O complexo testemunha o desenvolvimento da arquitetura moderna e do desenho industrial. Com suas vidraças revolucionárias e sua estética funcionalista, a fábrica Fagus anuncia o movimento modernista e a Escola Bauhaus, conforme reconheceram especialistas da Unesco.

A estética funcional dos imóveis e suas vastas superfícies cristalizadas, revolucionárias em sua época, prefiguram as criações da escola da Bauhaus e marcam uma ruptura na evolução das formas arquitetônicas na Europa e América do Norte. Gropius tinha apenas 28 anos ao projetar o edifício da Fagus, mas seu trabalho com o arquiteto alemão Peter Behrens lhe conferia as melhores qualificações. No escritório de Behrens, Gropius foi colega de Mies van der Rohe e Le Corbusier e participou do histórico projeto para a
companhia de eletricidade AEG, em 1909, que incluía não somente um projeto arquitetônico para a fábrica de turbinas, mas seu design corporativo completo.

No edifício da Fagus, Gropius desenvolveu uma linguagem formal que marcaria toda a arquitetura moderna: estrutura independente com pilares ainda de alvenaria, entre os quais eram fixadas vidraças emolduradas com caixilhos de ferro. Esse princípio construtivo foi aperfeiçoado por Gropius no futuro prédio da Escola Bauhaus, em Dessau, com seus pilares recuados de concreto e amplos panos de vidro.

Por coincidência, a faia, cujas florestas foram tombadas pela Unesco, deu nome à fabrica de formas de sapatos projetada pelos arquitetos Walter Gropius e Adolf Meyer, em Alfeld na der Leine, a Fagus.

Reis kushitas

Também foram incluídos no inventário a ilha de Meroe (Sudão), a Zona protegida de Wadi Rum (Jordânia), os Centros de poder dos longobardos (Itália). O sítio sudanês, sede do poder que ocupou o Egito durante quase um século, compreende a cidade real dos reis kushitas em Meroe, próxima ao rio Nilo e os lugares religiosos próximos de Naqa e Musawwarat, em Sofra. Este vasto império estendeu-se desde o Mediterrâneo até o coração da África, tornando-se depoimento do intercâmbio de artes, estilos arquitetônicos, religiões e idiomas entre ambas regiões.

Em outra ordem, a Zona Protegida do Uadi Rum é uma variada paisagem desértica formada por canyons, arcos naturais, escarpas, rampas, grutas e grandes declives de terreno num espaço de 74 mil hectares ao sul da Jordânia para perto da fronteira com a Arábia Saudita.

Os vestígios de 25 mil petroglifos e 20 mil inscrições e os restos arqueológicos subsistentes no local constituem um depoimento de doze milênios de ocupação, da evolução do pensamento humano e dos começos da escrita alfabética.

Fonte: http://whc.unesco.org/
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15192643,00.html

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