19 de nov de 2009

Da coluna de Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, de Porto Alegre:

Um instituto das arábias

...se alguém ganhar na Mega Sena deve comprar uma sede própria para o instituto

Falou-se ontem de um grupo de jornalistas, advogados e funcionários públicos que se reúne todo santo dia na Rua da Praia, em frente à Galeria Chaves, Porto Alegre. Como tantos outros grupos, a criação do Irpapos foi combustão espontânea. Das bandas de São Gabriel (RS), o jornalista Plínio Dotto, embaixador plenipotenciário do Irpapos na Terra dos Marechais, esclarece que a sigla vem de Instituto Rua da Praia de Análises Políticas e Sociais.

Porto Alegre é pródiga em grupos assim. Durante décadas funcionou no bairro Cristal um clube chamado Marisco Preto. Era um chalé de madeira, mas que funcionava dia e noite para jantares e bebedeiras diversas. Tinha até uma bandeira, que era hasteada a meio pau quando os associados estavam idem. O diabo é que nunca se soube em nome de quem estava o imóvel, quem pagava o IPTU etc.

No caso do Irpapos, as tais análises políticas e sociais resumem-se a jogar conversa fora, contar piadas e marca jantar de confraternização. Depois, café no Café Chaves. Há um pacto entre os sócios de que se um ganhar a Mega Sena acumulada, comprará uma sede própria para o instituto.

Os papos do Irpapos eventualmente transpiram cultura. Outro dia o doutor Ferri, advogado de nomeada, pediu um cafezinho e começou a despejar nele toneladas de açúcar. Ao lado, o professor Edson ficou preocupado com o amigo.

- Olha o colesterol...

Isso imediatamente suscitou uma pacto. No próximo churrasco, todos cuidariam para que o bom doutor não exagerasse na costela gorda. Afinal, não dá para brincar com o diabetes.


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