CristineRochal/PMPA "Calçada boa é símbolo de democracia”
Opinião de urbanista colombiano em seminário internacional sobre cidades. O blog Porto Alegre Centro Histórico traz algumas idéias debatidas no encontro.
Festejado como o principal responsável pelas melhorias que revolucionaram a cidade de Bogotá, a capital da conturbada Colômbia, o ex-prefeito Enrique Peñalosa faz uma defesa veemente do transporte coletivo e do espaço público, e diz que o programa Cidade Limpa, que eliminou os out-doors publicitários de São Paulo “é um exemplo para o mundo”. Porto Alegre e outras cidades brasileiras também poderiam adotar esse modelo.
As idéias do ex-prefeito de Bogotá foram debatidas juntamente com propostas de especialistas de várias partes do mundo na Conferência Urban Age South American, realizada em São Paulo, nos dias 05 e 06 de dezembro. O encontro discutiu os rumos das grandes cidades e suas mazelas.
O blog Porto Alegre Centro Histórico presta um serviço ao leitor e destaca algumas das opiniões desses estudiosos, entre eles a brasileira Raquel Rolnik e o norte-americano Richard Sennet, além do ex-prefeito de Bogotá:
Enrique Peñalosa
(Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano, C4, 06/12/2008)
“Uma cidade tem que ser boa para as pessoas mais vulneráveis, crianças, cadeirantes, idosos, pobres, ciclistas.O desafio é criar a cidade para as pessoas, e não para os carros.”As cidcades ricas, há 15 anos, decidiram não fazer mais vias para melhorar o trânsito.”
“É possível medir a democracia analisando como o espaço público é distribuído.”
“As calçadas são parte do sistema de transporte, porque a jornada começa quando saímos de casa. Uma calçada boa é símbolo de que o cidadão que caminha tem o mesmo valor de outro que tem um carro de US$ 30 mil. É símbolo de democracia. O que diferencia uma cidade boa de uma ruim é a qualidade das calçadas.”
Raquel Rolnik
(O Estado de São Paulo, Caderno Aliás, J5, 07/12/2008)
“O entrave da questão urbana no Brasil é a setorização dos interesses. A lógica das empreiteiras ainda rege o financiamento do desenvolvimento urbano, onde a concentração de recursos convive com a fragmentação dos serviços.”
“É uma lógica segundo a qual os interesses políticos e empresariais estruturam-se em torno de setores definidos. Ou melhor, setores corporativos arraigados na estrutura do estado e na estrutura político-eleitoral no país. O Ministério das Cidades, criado em 2003, não conseguiu reverter isso.”
“A experiência ‘star’ de Bogotá é o TransMilenio. Trouxe outro padrão de mobilidade urbana. É fantástico. Antes de inaugurar o TransMilenio, houve uma ampla mobilização social e cívica em Bogotá para debater o projeto. Aprovou-se uma lei de uso e ocupação do solo e criou-se um imposto sobre valorização imobiliária. Foi esse imposto que permitiu à administração local tocar experiências tão radicais.”
Richard Sennett
(O Estado de São Paulo, Caderno Aliás, J4, 07/12/2008)
“O grande remédio para se combater a violência urbana é dar emprego para as pessoas. Essa crise vai promover muito desemprego. Nós precisamos nos preparar para isso. Penso que se deva dirigir o foco para as pessoas e para o trabalho. Isso significa prestar mais atenção nas economias locais.”
“O governo (em Londres) tem restringido muito o número de automóveis em circulação. Nós também não construímos estradas. Se existem muitos automóveis, a resposta é não construir estradas.”
“Não podemos ficar olhando para o governo na expectativa de que ele resolva tudo. Precisamos de mais ações, todos os dias. Temos de construir algo que esteja lastreado numa base de ações próprias, evitando as burocracias.”